Acasos.

•27/03/2010 • Deixe um comentário

Quando as musicas românticas que tocavam em meu rádio começaram a me irritar profundamente eu decidi fazer alguma coisa. Agarrei meu Blackberry e digitei preguiçosamente o número já conhecido. Eu não tinha pressa alguma, tomar alguma atitude já era um passo deveras atrevido para com a minha vontade mínima de largar meu chocolate meio-amargo e minha taça de vinho tinto naquela noite fria. Tocou, tocou e nada. Caminhei até a varanda de meu apartamento e o vento frio arrepiou-me. Agarrei o casaco que havia usado mais cedo naquele dia e me sentei no chão frio, com o celular na mão. Não devia demorar, talvez uns cinco minutos… Foi bem menos que isso, logo o celular vibrou entre meus dedos.  Se eu não conhecesse bem a Nina eu estranharia o fato de um homem estar retornando a minha ligação em vez dela, mas nossa amizade completou nove anos, posso dizer que nada mais na Nina me surpreende.

-       Você é a Julia? – Ele me perguntou. Sua voz era grave como um trovão e a frieza em seu tom me deu calafrios. Ou foi o vento novamente, não sei ao certo.

-       Sim, sou eu. Onde ela está? – Meu tom não era de preocupação, mas a frieza dele fez minha voz sair um pouco estranha, talvez por isso ele tenha me dito para me tranqüilizar.

-       Ela está bem, quero dizer…agora parece melhor – Ele suspirou. Ouvi-o resmungar algo como “não sei como me meto nesse tipo de coisa” baixinho do outro lado.

-       Onde ela está? – Repeti, já que ele não respondeu o que eu queria ouvir. Acho que fui um pouco estúpida, mas se ele ia ser rude eu seria também, não quero nem saber.

-       … – Ele suspirou de novo – Está em minha casa, espalhada em meu sofá mais do que eu gostaria.

-       Vou buscá-la, on…

-       Acho bom mesmo, minha casa não é hotel – Ele me cortou, filho de uma puta sem educação!

-       Onde fica a sua casa? – Fiz questão de ser extremamente rude ao dizer isso e mesmo com as palavras vazando pelos buraquinhos entre meus dentes cerrados acho que consegui.

-       Chanson com a Miragaia, número 31. Sabe chegar? – Ele foi um pouco menos rude, acho que assustei o pobre coitado. Mereceu também.

-       Google Maps serve pra isso – Desliguei. Eu não dou trégua mesmo.

A casa dele era longe, bem longe, me perdi várias vezes. Eu não conheço nada da Zona Leste e me perguntei o caminho todo o que raios a Nina fazia por esses lados. Era curiosidade, não surpresa. A Nina não me surpreende mais. Comecei a me desesperar quando me vi sozinha em um lugar nada amigável, não sou muito corajosa, eu só faço barulho e nunca vou para a ação. Cão que ladra não morde. Quando a musica do rádio foi interrompida pelo viva voz eu quase chorei de alegria. Quase.

-       E ai Ju! Estou saindo do trabalho só agora, tava afim de tomar uma cerveja, vamô? – Jesus me enviou Rafael naquele momento. Ele trabalha na Zona Leste, eu estava com uma sorte imensa.

-       Rafa socorro!

Bom, para encurtar a história o Rafa foi o meu anjo salvador, deixou a cerveja para outro dia e foi atrás de mim. Eu estava ridiculamente perto do escritório dele, que fica em uma das principais vias da região. Me senti uma anta, mas o Rafa não tirou um saro de mim, poderia ter feito, eu teria, mas ele não fez. Anjo! Ele entrou no meu carro e fomos juntos atrás da Nina. No caminhou eu contei o que eu fazia por ali, que era o único interesse dele aparentemente. Expliquei que a Nina tinha me ligado bêbada de novo e pediu para eu ir buscá-la, mas que ela não tinha idéia de onde estava, por isso eu esperei um tempo até ligar de volta, e foi nesse momento que o homem mais estúpido da face da terra me ligou do telefone dela.

-       É aqui – O Rafa não me contou nenhuma novidade, eu podia ver bem o número 31 metálico que refletia a luz do poste. Mas era um prédio – Qual o apartamento? – E eu sei lá! Aquele ser não me disse que era um prédio! Deve ter alguma coisa a ver com eu ter desligado na cara dele, mas não importa, ele não me disse, ele que foi negligente.

-       Vamos até a portaria, eu vou ligar para a Nina e perguntar.

Eu não precisei fazer isso, quando nos aproximamos do prédio vi um homem encostado na parede com a maior cara de tédio que eu já presenciei. Ele levantou o olhar para nós e perguntou se eu era a Julia. Eu reconheci aquele tom, era ele sem dúvidas. Sem apresentações ou qualquer outra coisa ele nos guiou até seu apartamento no sétimo andar e logo ao abrir a porta da frente eu pude ver a Nina. Antes não a tivesse visto, estava péssima. Eu já estava farta de ver a Nina nesse estado, todo fim de semana ela extrapolava assim e eu tinha que correr ao socorro dela. Era melhor quando eu agia da mesma maneira que ela, assim pelo menos eu me divertia. Mas agora eu era uma pessoa diferente, enquanto a Nina só parecia piorar. Ela estava na casa de um completo estranho, na Zona Leste, completamente bêbada, com a roupa suja, o cabelo zoneado, a maquiagem borrada e caída igual pudim no sofá. Ajoelhei-me ao lado do sofá e passei a mão em seus cabelos, ela me olhou e sorriu embriagada.

-       Sempre minha heroína.

-       Não por escolha – Respondi enquanto tentava fazê-la sentar. Ouvi o Rafa perguntar para o freezer se ela tinha vomitado, e ele respondeu que tinha bastante, e logo depois adormeceu. Percebi o balde ali do lado, era nojento. Gente dando PT é sempre nojento. Entretanto era a Nina, e a Nina é minha amiga, eu precisava estar ali apesar do nojo.

-       Você demorou demais pra chegar – Ele não tinha aprendido a ser agradável desde a ultima vez que nos falamos – Eu quero ir dormir.

-       Vai então, eu não to ligando – Esse cara me tirava do sério.

-       Ju! – O Rafa falou em tom de reprovação e olhou para o freezer com cara de “desculpe por isso”. Que raiva que eu fiquei do Rafa nessa hora, o freezer é que tem que pedir desculpas pela falta de modos dele – Ela mora bem longe, e se perdeu para chegar aqui – Ele me dedurou. Vi um sorriso sarcástico nascer no rosto do freezer, droga, o Rafa deu motivos para ele tirar uma com a minha cara!

-       Era de se esperar. – Era de se esperar?! Quem é ele pra falar isso? Nem me conhece! Eu ia retrucar com uma grosseria do tamanho do Himalaia, mas a Nina caiu e eu fui ajudá-la a se ajeitar.

-       Acho melhor dar um banho nela, tudo bem? – O Rafa é uma pessoa muito gentil e amável, é impossível dizer não para ele. Nem o freezer resistiu.

Os dois seguraram a Nina e fomos até o banheiro. Eu pedi que eles saíssem e dei um banho nela, que não parecia saber o que estava acontecendo. Deixei ela ali sentada na banheira e escorreguei pela parede até sentar-me no chão de azulejo. Só então percebi que eu também estava cansada, deviam ser por volta das quatro horas e eu estava de pé desde as seis. Observei o banheiro, era muito bonito, nem parecia casa de homem solteiro. Se é que ele era solteiro né… pensei que talvez fosse gay, as chances não são pequenas. A Nina deu uma escorregada e eu corri pra acudi-la, apressando o banho o máximo que pude. Gritei o nome do Rafa e pedi que ele arranjasse roupas para ela enquanto as dela secavam. Ele voltou com uma camiseta que ficou gigante na magrela da Nina. Eu a deitei na cama do freezer sem nem pedir, ela tinha adormecido e eu não queria acordá-la. Quando voltei para a sala eu tive a surpresa de encontrar o Rafa e o freezer sentados no bar tomando shots que alguma coisa que eu não consegui enxergar o que era e rindo bastante. Rindo. O freezer estava rindo. O Rafa faz milagre, eu falo e ninguém acredita.  Não demoraram a perceber a minha presença, foi só me ver que o freezer fechou a cara. Que raiva me deu.

-       Como ela está Ju? – O Rafa estava preocupado de verdade, eu pude notar claramente pelo seu rosto. Tão bonitinho.

-       Dormindo.

-       Era o que eu queria estar fazendo também – Grandissíssimo filho da puta!

-       Vamos embora agora Rafa, pega as coisas da Nina – Eu disse com vontade. Não estava planejado ir embora agora, eu queria que ela descansasse mais, mas eu não agüentaria continuar ali na presença desse ser rude.

-       Deixa de ser besta, agora que a sua amiga dormiu deixa ela lá mais um pouco.

-       Aaaaa mas isso vai atrapalhar seu sono bela adormecida! – Ok eu reconheço que perdi um pouco o controle, eu estava com muita raiva.

-       Não seja mal educada menina, estou ajudando sua amiga e você está em minha casa, esqueceu? – Ele falou rude, mas sem erguer o tom de voz. Já eu sabia que eu estava gritando.

-       Baixa a bola moleque, eu agradeço por cuidar dela, mas isso não lhe dá direito de ser estúpido.

-       Você é quem está gritando.

-       E você é arrogante!

-       O que uma coisa tem a ver com a outra?

-       Não discutam… A Julia só está agindo assim porque está cansada, e o Arthur só está agindo assim porque passou por uma situação péssima hoje – Eis o nome do freezer, Arthur. Tava explicado, ele tem o rei na barriga – Não fiquem descontando um no outro. Venha beber um pouco conosco Ju – Rafa Rafa, sempre tentando acalmar a situação. Ele conseguiu parar a briga, como eu disse, é impossível dizer não para ele. Mas ainda assim eu estava explodindo de raiva.

Sentei com eles por um tempo e tomei uns dois shots do que eles bebiam, que depois eu descobri ser vodka. Conversamos por um tempo, quero dizer, eles conversaram, eu estava brava demais para falar qualquer coisa. Já o freezer parecia super a vontade em toda sua arrogância. Cerca de vinte minutos depois o Rafa resolveu ir dar uma olhada na Nina, se ela já estivesse acordada nós iríamos embora, esse foi o acordo que eu propus.

-       Desculpa qualquer coisa – Segunda surpresa do dia. O freezer me soltou uma dessas logo depois do Rafa sair da sala – Eu não estou num bom dia, acabei pondo todo meu ressentimento em cima de você e da sua amiga – Ele parecia realmente arrependido, e isso acabou afastando a minha raiva não sei bem como.

-       Aah, tudo bem… – Eu não sabia o que responder. Só sabia que eu não ia pedir desculpa, aaa não ia mesmo. Passamos um tempo num silêncio bem constrangedor, até que eu me lembrei de uma questão ainda não respondida – Como foi que a Nina veio parar aqui? – Ele me observou por uns 3 segundos que para mim, pareceram durar uma eternidade.

-       Uns amigos me convenceram a ir a um bar, dizendo que beber ajuda esquecer. Ajuda nada! Mas enfim, isso não vem ao caso. Enquanto eu estava por lá eu me encontrei com sua amiga várias vezes, o suficiente para me familiarizar com o rosto dela. Com o passar da noite eu me irritei de ficar por lá e quando eu estava indo embora eu vi o barmen acudindo-a. Aproximei-me e ele pediu para que eu ficasse de olho nela, pois ela estava sozinha. Minha noite já estava arruinada, não custava nada, mas eu me senti mal por deixá-la largada em cima do balcão e decidi trazê-la pra casa e ligar para alguém. Foi ai que liguei pra você.

-       Foi legal da sua parte, obrigada – Eu agradeci com o coração, a Nina já tinha ido parar na mão de tanta gente suja e desonesta, eu precisei admitir que ele tinha sido bem bacana – Você teve um dia difícil então? – O silêncio estava me incomodando.

-       Você não tem idéia – Ele suspirou – Descobri que a minha namorada me traia, e isso já tinha um tempo. – Por essa eu não esperava. Primeiro eu pensei que era porque ele era grosseiro e rude, mas então lembrei que isso tinha sido só um erro de julgamento meu, ele estava agindo assim porque estava machucado, obvio que ia ficar com a mão cheia de pedras.

-       Humm – Eu nunca sei o que dizer, eu não sei consolar pessoas, eu só sei resgatá-las no pós noitada – Você gostava muito dela? – Só percebi  quão idiota essa pergunta era depois de fazê-la, acontece.

-       Eu achava que sim, mas no fundo eu acho que não gostava tanto assim. Meu orgulho foi o maior ferido dessa história – Ele me olhou nos olhos e deu um meio sorriso – Sabe, eu lhe achava uma tremenda egoísta até alguns minutos.

-       Eu ainda lhe acho um rude, mas um rude legal – Eu me permiti rir, ele riu levemente também.

O Rafa voltou para a sala, disse que a Nina tinha acordado. O Arthur disse que podíamos ficar o quando quiséssemos, mas eu realmente achei melhor irmos embora. Juntei as coisas da Nina enquanto Rafa e Arthur a ajudavam a descer  até o estacionamento. Juntei-me a eles em frente ao carro, eles já tinham colocado a Nina no banco de trás e agora conversavam a minha espera. Os dois se despediram como se já se conhecessem há anos, acho incrível como homens fazem amizade com facilidade. Trocaram telefones e já combinavam de jogar futebol no domingo a tarde. Homens. Convidei o Rafa para dormir em casa, ele não estava bem pra dirigir. Agradeci mais uma vez o Arthur por tudo que fez pela Nina.

-       Não foi nada, para ser sincero conhecer vocês foi a única parte boa do meu dia – Ele sorriu. Agora eu já estava simpatizando com ele, não sei se era por eu ter bebido ou por ele ser bacana mesmo – Ela está indo com a minha camiseta, você vai precisar me devolver depois.

-       Eu mando pelo Rafa quando vocês forem jogar futebol.

-       Não, eu vou buscar na sua casa, quero ver se é tão longe assim ou é você que é uma perdida mesmo – Ele sorriu com sarcasmo e eu fechei a cara. Freezer metido a sabe tudo. Mas depois eu não pude deixar de deixar meu telefone e dizer para ele ligar quando quisesse ir buscar. Lá em casa eu só tenho geladeira, um freezer até que seria bacana ok?…

João amava Tereza

•15/03/2010 • Deixe um comentário

Eu nunca entendi porquê justo ela. Não faz o menor sentido. Ela é  egoísta, cabeça dura e limitada, uma combinação perigosa. Perigosa pra não dizer impossível. Impossível para não dizer estúpida. Ponha-se no meu lugar, se ela pensa  tomate não há o que eu diga que a faça pensar laranja. Na verdade, eu não consigo sequer fazê-la pensar molho de tomate, tem que ser o tomate inteiro, com casca e tudo. E se eu não quiser a porcaria do tomate? E se eu quiser a droga da laranja? De nada adianta. Ela não liga para o que eu digo, não me dá a menor credibilidade. O pior é que de tanto me dizer que estou errado eu acabo acreditando que estou. Claro que chegando em casa eu me sinto um completo idiota por me deixar levar, porque longe dela eu continuo achando que é laranja e não tomate, mas é incrível como ela me faz acreditar que o tomate engana, ele é fruta e por isso é tão bom quanto a laranja. Não é melhor coisa nenhuma! Vai tomar um suco de tomate e depois venha me contar suas conclusões…

A gente briga. Muito. Por tudo. Eu tento não brigar, não quero que pensem que eu sou um cachorro pedante e sei lá mais o que as garotas xingam os namorados das amigas quando eles brigam muito. Tenho uma novidade pra vocês: a culpa é dela! Ela é o cachorro pedante. Isso nunca passa na cabeça das amigas né? Que a amiga delas é aquela que causa as brigas, o vilão é sempre o homem. Sexo frágil uma ova, junta algumas delas pra conversar e shazan, você é um cachorro pedante. Eu realmente tento não brigar… mas que culpa eu tenho dela sempre se achar certa? Ela não está sempre certa, mas acha que está. E sabe quando eu estou certo? Quando concordo com ela. Pode dizer, eu sou mesmo um banana por aceitar o que ela impõe. Antes banana que tomate, tenho dito.

Mas não era bem isso que eu queria dizer. Eu estou tentando me entender. Eu já pensei muito em porque eu continuo acreditando nessa relação. Não ta funcionando pô! Mas ainda assim eu não desejo nenhuma outra relação se não for com ela. Acima das brigas, acima das incertezas, acima da personalidade torta e impossível dela, acima das minhas outras pretendentes bem menos complicadas e bem mais perfeitas está a forma que eu me sinto quando estou com ela. Desculpem-me pretendentes perfeitas, vocês são tudo que um cara precisa e deseja em uma relação, não duvidem! Mas eu não sou um cara normal no final das contas. Eu não quero a perfeição, eu quero a distorção, a confusão, o impossível.

Ela me faz sentir bem, essa é a verdade. Ela deve ter algum tipo de mel, me atrai de uma forma fora do normal. Quando estou com ela eu não quero estar em nenhum outro lugar. Eu não quero estar em nenhum lugar onde ela não esteja. Se tiverem meninas lendo isso devem fazer algum sonzinho do tipo “ouwwwn”e exclamar que eu sou um fofo. Eu não sou um fofo. Eu sou um banana, e não tem nada de fofo em uma banana. A não ser que você pense nas calorias da banana, porque se você comer muita banana vai ficar fofa mesmo. Mas não é esse o sentido de fofo para as garotas… não quando tem um “ouwwwn” acompanhando.

Tem dia que eu acordo com vontade de colocá-la em uma caixa, fechar com fita e enviar pro Cazaquistão sem remetente. E tem dia que eu troco o Cazaquistão pelo endereço da minha casa. É confuso. Eu não tenho idéia do que eu quero, e tenho sérias razões para acreditar que ela também não. Se isso tem futuro? Eu duvido, essa relação já tinha a data de termino antes de começar. Mas eu não ligo. Antes que termine eu quero respirar essa relação por completo. No fundo eu sei o que quero, só não quero admitir. Espero que ela também.

Signs

•19/09/2009 • 1 Comentário

Já tem um tempo que eu quero postar esse curta aqui no blog, desde a premiação de Cannes para ser mais exata (Viu como tem tempo?).  O curta “SIGNS” ganhou um Leão de Ouro em Cannes este ano. Ele faz parte de um festival de curtas da Schweppes feito pela Publicis Mojo da Nova Zelandia, onde há cinco curtas em cartaz. A direção é de Patrick Hughes.

Apaixone-se sem moderação

•18/09/2009 • 1 Comentário

Há 80 anos a Garoto vêem adoçando a viva de muita gente,  inclusive a minha. Tenho uma preferência toda especial pelos chocolates da marca e hoje dedico esse post ao bombom do amor e  à serenata mais doce de todas.

O Serenata de Amor é o bombom clássico da Garoto (Desde 1949), uma mistura perfeita de castanhas e chocolate que além de delicioso tem toda uma imagem romântica por detrás. É o bombom do amor, aquele que você escolhe pra surpreender alguém que se ama, uma declaração de amor sutil, um sinônimo da paixão e do afeto. Ganhar um Serenata de Amor não é apenas ganhar um bombom.

Acompanhe a cena. Você abre o bombom, da forma tradicional, roda um lado pra cá, o outro pra lá. E lá está o chocolate. Você o saboreia e enquanto isso aproveita para ler as frases que amor que o embalavam. Todo mundo quando come um Serenata de Amor gosta de ler a frase para quem está do lado. Adimita, você faz isso. Eu também faço.

Algumas são bonitinhas… “Se você está se sentindo estranhamente feliz e sorridente das duas uma: ou está apaixonado ou ficou louco. Nofundo, não faz muita diferença”

Outras são sacanas… “Amor platônico só existe na imaginação de uma pessoa, e o outro nem desconfia que é amado.- Se você esta nessa situação, só temos uma coisa a dizer: não queriamos estar na sua pele!”

Outras são meio geek...Sem querer você troca olhares com alguêm. Se nessa hora a dopamina, a feniletilamina e a ocitocina resolvem entrar em ação, xi ferrou!”


E seguindo essa linha do bombom do amor a Garoto lançou para o Serenata de Amor uma das propagandas mais bonitas, na minha opinião. O filme criado pela W/Brasil chamasse “Paixão”.

Belíssimo! O comercial é embalado pela música “You – Vega4″.

You know that it’s easier alone.
You know that it’s easier alone but
I can’t be me without you.

Serenata de Amor. Paixão a primeira mordida.

Guarda-chuva

•21/08/2009 • 4 Comentários

Estacionou ao ver a luz vermelha, a poucos carros da faixa de pedestres. Expirou com vontade enquanto observava o lugar vago ao seu lado, lamentando sua própria infelicidade. Estava completamente sozinha, não apenas dentro do espaçoso carro, sozinha na vida. Ela foi se angustiando cada vez mais ao pensar que logo chegaria em casa para apreciar apenas a companhia do sofá de couro gelado e de programas de Tv que a estapeiam com realidades que ela almeja fazer parte. Há anos ela vivia uma solidão que tentava disfarçar para os colegas de trabalho, mas não fazia muita diferença, ninguém parecia percebê-la. Perguntou para o vazio o porque de tudo isso, existem milhões de pessoas ao seu redor, por quê nenhuma podia ser sua amiga?

A batida no vidro a fez pular, seu coração subiu ao pescoço e seus pensamentos se dissiparam. O homem sorriu sem jeito, como se pedisse desculpas por assustá-la e lhe mostrou o objeto que tinha em mãos, um guarda-chuva amarelo brilhante. “Um vendedor” ela pensou enquanto esperava seu coração desacelerar. O homem tagarelava do outro lado do vidro e no desespero por algum contato social ela baixou o vidro. O homem se animou e tagarelou ainda mais. Ela ouviu a cada palavra com um fascínio quase desesperado e decidiu comprar o guarda-chuva que o simpático homem vendia. Ele sorriu agradecido “Que Deus te ilumine moça”, ela lhe desejou uma boa tarde e seguiu para casa um pouco mais animada.

Estacionou o carro na garagem e observou o guarda-chuva que ocupava o banco do passageiro. O amarelo gritava para ela em uma vivacidade que ela chegou a invejar. Juntou seus pertences e subiu para seu apartamento. Como todas as noites o porteiro estava dormindo, o que sempre a entristecia, ele era a única pessoa que ela considerava como amigo, mesmo que suas conversas se limitassem ao tempo ou a algum problema do prédio. Ela jogou o guarda-chuva no sofá de couro e o fitou por um bom tempo. Era muito bonito e parecia ser de qualidade, apesar do preço baixo pelo qual foi adquirido. “Você é brilhante demais para caber nessa vida sem cor” Disse ela “Acho bom você ficar cor de mostarda, assim não destoa do restante… e eu estou falando com um objeto? A que ponto cheguei!”. Caminhou até janela e observou os moradores do prédio da frente, um garotinho acenou para ela e ela retribuiu com gosto, mas logo um senhor de idade, provavelmente o avô, tirou o menino de perto da janela a deixando solitária novamente. Suspirou e decidiu terminar logo o dia. Naquela noite, ela sonhou.

Na manhã seguinte chovia pesadamente, ela buscou um casaco quente no armário, pois tinha certeza que o tempo permaneceria gélido por todo o dia. Abriu a porta do apartamento e por alguma razão desconhecida virou-se para observar o apartamento. Seus olhos caíram imediatamente sobre o guarda-chuva amarelo em cima do sofá que continuava a insultá-la com todo sua cor. Seu olhar saltou indeciso do fragmento de sol em cima de seu sofá ao guarda-chuva preto que tinha em suas mãos.

Sentiu-se desconfortável ao caminhar pela avenida embaixo de todo aquele brilho na hora do almoço, o dia estava pintado de cores tão tristes que seu guarda-chuva amarelo tornou-se ainda mais audacioso e imponente. Ela caminhou encolhida, olhando para baixo na tentativa de se esconder, envergonhava por toda a atenção que chamava. Parou para atravessar a rua e levantou o rosto pela primeira vez em dez minutos, apenas para observar quando o semáforo para pedestres se tornasse verde. Entretanto, não foi a tradicional luz verde que ela viu. Sua visão se incomodou com um brilho gritante, vivo. Do outro lado da rua ela pode ver um homem protegido por um guarda-chuva amarelo idêntico ao seu. Ele a fitava sem desviar o olhar uma vez sequer e um sorriso sacana surgiu em seu rosto quando o semáforo tornou-se verde. “Você está desviando a atenção do meu guarda-chuva sabia?” Disse ele ao se encontrar com ela no meio da rua “Eu sou o único substituto do sol que pode haver nesta avenida” Brincou. Ela o observou com curiosidade “Do que raios esse homem está falando?” Pensou. Você não ilumina tanto assim para dizer que é o sol, você é apenas um raio e bem… um raio sozinho não é capaz de iluminar um dia como este” Ela respondeu. O homem sorriu satisfeito “Se é assim, ambos somos raios de sol? Porque se formos, eventualmente nos encontraremos de novo para formar um dia de verão”. Ela o observou acenar para ela enquanto terminava a travessia da rua. Um coro de buzinas a tirou de seu transe e a fez correr para o outro lado da rua. Ao chegar olhou para trás procurando em vão o outro guarda-chuva amarelo. Apertou o cabo que tinha em mãos e sorriu como há muito tempo não fazia. Só então ela percebeu que a claridade ao atravessar o guarda-chuva a deixava levemente amarela e dessa vez não se incomodou em brilhar, porque a partir daquele momento ela deixou-se ser um dos raios de sol que se encontrariam, eventualmente, para formar o verão.

Fim.


Escolher uma palavra e escrever um conto com ela; dito e feito. Está fraquinho, mas eu gostei…

Histórias curtas não são exatamente meu forte, sempre gostei mais de escrever narrativas compridas, mas eu adoro guarda-chuvas amarelos! (Se é que isso importa para alguma coisa…)

Tente fazer o mesmo, pegue uma palavra e escreva um conto. Fica a Dica.

Estacionou ao ver a luz vermelha, a poucos carros da faixa de pedestres. Expirou com vontade enquanto observava o lugar vago ao seu lado, lamentando sua própria infelicidade. Estava completamente sozinha, não apenas dentro do espaçoso carro, sozinha na vida. Ela foi se angustiando cada vez mais ao pensar que logo chegaria em casa para apreciar apenas a companhia do sofá de couro gelado e de programas de Tv que a estapeiam com realidades que ela almeja fazer parte. Há anos ela vivia uma solidão que tentava disfarçar para os colegas de trabalho, mas não fazia muita diferença, ninguém parecia percebê-la. Perguntou para o vazio o porque de tudo isso, existem milhões de pessoas ao seu redor, por quê nenhuma podia ser sua amiga?

A batida no vidro a fez pular, seu coração subiu ao pescoço e seus pensamentos se dissiparam. O homem sorriu sem jeito, como se pedisse desculpas por assustá-la e lhe mostrou o objeto que tinha em mãos, um guarda-chuva amarelo brilhante. “Um vendedor” ela pensou enquanto esperava seu coração desacelerar. O homem tagarelava do outro lado do vidro e no desespero por algum contato social ela baixou o vidro. O homem se animou e tagarelou ainda mais. Ela ouviu a cada palavra com um fascínio quase desesperado e decidiu comprar o guarda-chuva que o simpático homem vendia. Ele sorriu agradecido “Que Deus te ilumine moça”, ela lhe desejou uma boa tarde e seguiu para casa um pouco mais animada.

Estacionou o carro na garagem e observou o guarda-chuva que ocupava o banco do passageiro. O amarelo gritava para ela em uma vivacidade que ela chegou a invejar. Juntou seus pertences e subiu para seu apartamento. Como todas as noites o porteiro estava dormindo, o que sempre a entristecia, ele era a única pessoa que ela considerava como amigo, mesmo que suas conversas se limitassem ao tempo ou a algum problema do prédio. Ela jogou o guarda-chuva no sofá de couro e o fitou por um bom tempo. Era muito bonito e parecia ser de qualidade, apesar do preço baixo pelo qual foi adquirido. “Você é brilhante demais para caber nessa vida sem cor” Disse ela “Acho bom você ficar cor de mostarda, assim não destoa do restante… e eu estou falando com um objeto? A que ponto cheguei!”. Caminhou até janela e observou os moradores do prédio da frente, um garotinho acenou para ela e ela retribuiu com gosto, mas logo um senhor de idade, provavelmente o avô, tirou o menino de perto da janela a deixando solitária novamente. Suspirou e decidiu terminar logo o dia. Naquela noite, ela sonhou.

Na manhã seguinte chovia pesadamente, ela buscou um casaco quente no armário, pois tinha certeza que o tempo permaneceria gélido por todo o dia. Abriu a porta do apartamento e por alguma razão desconhecida virou-se para observar o apartamento. Seus olhos caíram imediatamente sobre o guarda-chuva amarelo em cima do sofá que continuava a insultá-la com todo sua cor. Seu olhar saltou indeciso do fragmento de sol em cima de seu sofá ao guarda-chuva preto que tinha em suas mãos.

Sentiu-se desconfortável ao caminhar pela avenida embaixo de todo aquele brilho na hora do almoço, o dia estava pintado de cores tão tristes que seu guarda-chuva amarelo tornou-se ainda mais audacioso e imponente. Ela caminhou encolhida, olhando para baixo na tentativa de se esconder, envergonhava por toda a atenção que chamava. Parou para atravessar a rua e levantou o rosto pela primeira vez em dez minutos, apenas para observar quando o semáforo para pedestres se tornasse verde. Entretanto, não foi a tradicional luz verde que ela viu. Sua visão se incomodou com um brilho gritante, vivo. Do outro lado da rua ela pode ver um homem protegido por um guarda-chuva amarelo idêntico ao seu. Ele a fitava sem desviar o olhar uma vez sequer e um sorriso sacana surgiu em seu rosto quando o semáforo tornou-se verde. “Você está desviando a atenção do meu guarda-chuva sabia?” Disse ele ao se encontrar com ela no meio da rua “Eu sou o único substituto do sol que pode haver nesta avenida” Brincou. Ela o observou com curiosidade “Do que raios esse homem está falando?” Pensou. Você não ilumina tanto assim para dizer que é o sol, você é apenas um raio e bem… um raio sozinho não é capaz de iluminar um dia como este” Ela respondeu. O homem sorriu satisfeito “Se é assim, ambos somos raios de sol? Porque se formos, eventualmente nos encontraremos de novo para formar um dia de verão”. Ela o observou acenar para ela enquanto terminava a travessia da rua. Um coro de buzinas a tirou de seu transe e a fez correr para o outro lado da rua. Ao chegar olhou para trás procurando em vão o outro guarda-chuva amarelo. Apertou o cabo que tinha em mãos e sorriu como há muito tempo não fazia. Só então ela percebeu que a claridade ao atravessar o guarda-chuva a deixava levemente amarela e dessa vez não se incomodou em brilhar, porque a partir daquele momento ela deixou-se ser um dos raios de sol que se encontrariam, eventualmente, para formar o verão.

Fim.

Amar pela beleza do gesto.

•05/08/2009 • 1 Comentário

Falar de amor é complicado, para mim quase impossível. Não há como definir, não há certo ou errado, não há restrição e na maior parte das vezes nem mesmo escolha. Existem diversos tipos, diversas intensidades, diversas maneiras de se amar… mas uma coisa é certa: Todos são reais. Não importa o tempo que durem ou como começem e terminem, todo amor quando surge é verdadeiro.

O filme/musical frânces “Le Chanson d’amour” do diretor Christophe Honoré trata do assunto de uma maneira que eu achei muito interessante, pois o foco são os amores menos discutidos, os amores mais “fora do contexto”, os amores polêmicos, os amores que por mais diferentes que sejam são tão reais e intensos como os amores mais comuns.

Entre todas as canções do filme eu escolhi como favorita “As-tu déjà aimé“, que fala do “amar apenas por amar”, o amor que surge apenas para se sentir as felicidades e também as dores que só ele proporciona. Gosto principalmente de como o compositor Alex Beaupain usa a metáfora da maçã e do verme, acompanhe:

Você já amou pela beleza do gesto?
Você já mordeu a maçã com todos os dentes?
Pelo sabor do fruto, a sua doçura e seu gesto…
Já se perdeu algumas vezes?

Sim, eu já amei pela beleza do gesto.
Mas a maçã era dura e quebrei os dentes.
Essas paixões imaturas, esses amores indigestos
Deixaram-me mal disposto algumas vezes.

Mas os amores que duram tornam os amantes exaustos
E o beijo deles demasiado maduro,
Apodrece-nos a língua.

Os amores passageiros têm febres fúteis
E o beijo demasiado verde esfola-nos os lábios.

Porque ao querer amar pela beleza do gesto,
O verme da maçã escorrega-nos entre os dentes
Ele roe-nos o coração, o cérebro e o resto.
Esvazia-nos lentamente.

Mas quando ousamos amar pela beleza do gesto,
Esse verme na maçã que nos escorrega entre os dentes
Toca-nos o coração, o cérebro e deixa-nos
o seu perfume lá dentro

Os amores passageiros fazem esforços inúteis.
As suas carícias efêmeras, cansa-nos o corpo.

Os amores que duram tornam os amantes menos belos.
As suas carícias usadas dão cabo
de nós.

Uma bela música, um bom filme. Le Chanson d’amour, fica a dica.

E você, já amou apenas pela beleza do gesto?

Pense nisso.

A Raposa e as Uvas

•05/08/2009 • 1 Comentário

Depois de ler o novo post do blog do Vick (Talkative Whispers) eu resolvi procurar entre meus livros o meu antigo exemplar de capa dura mega colorido lindo de morrer de As Fábulas de Esopo. Quando era bem pequena meu pai costumava as ler para mim antes de dormir e eu sempre achava legal o fato delas terminarem com uma “frasezinha” que só mais tarde descobri se chamarem morais.

Gosto das morais. Talvez por eu ser moralista demais, ter um pouco de justiçeira defensora das leis, regras, moral e tudo que há de bom (Meninas super poderosas. Oi?). O que eu quero dizer é: Acho totalmente válido a existência dessas morais ao fim da história, para que depois de lê-las tenhamos algo para refletir nem que seja por um mísero minuto.

Trago então talvez a mais famosa fábula de Esopo, A Raposa e as Uvas.

Certo dia de verão muito quente, a Raposa estava passeando pelo pomar quando viu um belo cacho de uva recém amadurecido, na videira plantada sobre um alto barranco. “Há pouca coisa para matar minha sede e isto servirá” murmurou ela. Recuando alguns passos, ela deu uma corrida e com um salto por pouco não acertou o bote. Virando-se em volta, insistiu com um, dois e três saltos para cima, sem maior sucesso. Repetidas vezes tentou novamente alcançar aquele bocado tentador, até que, finalmente, teve que deixá-lo, indo embora. Com o seu nariz empinado, concluiu: “Eu estou certa de que as uvas ainda estão azedas”.

Moral da história… “É fácil menosprezar o que não pode ser alcançado”.

No fundo, todos nós temos um pouco de raposa. Pense nisso.

 
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